Marília, capital do silêncio: mais um suicídio escancara o colapso da saúde mental e a omissão das autoridades

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Marília, SP — Mais uma vida se perdeu. Mais uma mulher foi encontrada morta, neste sábado (27), na zona oeste da cidade, em um caso com fortes indícios de suicídio. E com ela, se soma a uma estatística que já não pode mais ser ignorada: Marília vive uma epidemia silenciosa de suicídios, que cresce ano após ano, enquanto autoridades seguem em silêncio — e famílias, em luto.

A cidade, que já foi referência em saúde e educação, hoje desponta como a capital dos suicídios no estado de São Paulo, e talvez do país, quando se considera a taxa per capita. Em 2020, foram 20 casos. Em 2021, subiu para 23. Em 2022, pelo menos 27 mortes foram registradas — um aumento de 17,4%. E os números de 2023 e 2024 seguem em escalada, com projeções alarmantes.

Omissão institucional e dor coletiva

Enquanto o número de vítimas cresce, a Câmara Municipal permanece calada. Nenhuma audiência pública, nenhum projeto de lei, nenhum debate sério sobre o tema. A Prefeitura, por sua vez, reconhece o problema e tenta agir, mas falta estrutura, profissionais e recursos. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) estão sobrecarregados, e o tempo de espera por atendimento pode ultrapassar semanas — tempo que muitos não têm.

“A estrutura existe, mas não dá conta. Precisamos de mais psicólogos, psiquiatras, ações nas escolas, campanhas reais. Não dá mais para fingir que não está acontecendo”, afirma um munícipe que pediu anonimato.

Uma crise que exige coragem

A saúde mental virou pauta nacional, mas em Marília, ela ainda é tratada como tabu. A cada novo caso, o ciclo se repete: choque, luto, esquecimento. E a cidade segue acumulando perdas. Jovens, adultos, idosos — ninguém está imune. A dor é democrática, mas o cuidado ainda é privilégio.

Especialistas alertam que o suicídio é multifatorial, mas a ausência de políticas públicas eficazes é um agravante direto. Sem prevenção, sem acolhimento, sem escuta, o sofrimento se transforma em tragédia.

É hora de romper o silêncio

Marília precisa de ação. Precisa de coragem política. Precisa de empatia institucional. Não basta lamentar — é preciso transformar. Porque cada vida perdida é um grito que não foi ouvido. E cada silêncio das autoridades é um passo a mais rumo ao colapso.

Enquanto isso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) segue como uma das poucas alternativas de apoio emocional, disponível 24 horas pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br.

Marília não pode mais ser a capital dos suicídios. Precisa ser a capital da esperança.

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